
AGORA VOCÊ É UMA TRABALHADORA AUTÔNOMA!
Esse talvez seja o seu principal desafio: construir-se enquanto trabalhadora autônoma.
Vivemos em uma sociedade que não está projetada para a autonomia. Se você parar para pensar, nas suas experiências com a família, na escola e no trabalho, quando foi que te ensinaram e incentivaram a ser autônoma? Muito pelo contrário, né?
No entanto, construir um projeto profissional na Clínica implica em se reconhecer como trabalhadora autônoma. E são muitos os entraves nesse processo. Na faculdade, o foco das aprendizagens está nos aspectos teórico-técnicos e ético-políticos da profissão, mas há toda uma dimensão comercial que, salvo raríssimas exceções, é totalmente negligenciado durante os cinco anos de formação. E você precisará aprender sobre ela.
Aprender a ter autonomia, a criar suas próprias regras, a se organizar sem que tenha uma figura de autoridade acima de você lhe direcionando para onde ir e o que fazer, agora é com você. O domínio teórico-técnico e a consciência ético-política são fundamentais para um bom trabalho, mas não são o suficiente para construir um projeto profissional na Clínica.
Você precisará aprender a fazer “a gestão de si mesma”, ser proativa, muitas vezes, autodidata, e construir uma maneira de ser e trabalhar que, provavelmente, será nova para você. E mais, sem o nome de uma grande instituição junto ao seu. Agora é você por você: seu nome e sobrenome.
Aprender como fazer a gestão financeira, como funcionam os impostos, como negociar valores, como cobrar pacientes, como publicizar seu trabalho, como construir uma rede de contatos, como organizar sua agenda, etc. Serão muitas as atividades e tarefas que você irá desempenhar para além do momento de “estar em atendimento” (essa parte que a faculdade ensinou). E além de lidar com todas essas aprendizagens, estará enfrentando as inseguranças de “será que eu sou uma boa psicóloga?”; “será que eu estou preparada para começar?”.
Como tudo, há vantagens e desvantagens em ser uma trabalhadora autônoma, a liberdade e o “não ter chefe” talvez sejam coisas boas, mas nem todas as pessoas se adaptam bem a isso; assumir plenamente as responsabilidades de todos os processos de trabalho é um grande desafio, bem como lidar com a instabilidade financeira de quem não tem mais um dia certo para receber o salário, não tem férias, não tem 13º e não tem nenhum outro benefício como no CLT.
Sim, não vamos mentir: não é fácil. Duvide de quem quiser te vender um curso milagroso com uma receita de sucesso, porque “na prática a teoria é outra”. Mas é possível, bastante possível. E pode ser muito bom.
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E-book “10 dicas para quem está começando na Clínica”
Dica 2: Agora você é uma trabalhadora autônoma!