Organização financeira: bora fazer as contas!

ORGANIZAÇÃO FINANCEIRA: BORA FAZER AS CONTAS!

Muitas psicólogas dizem que não se dão bem com números, mas caso ninguém vá cuidar disso para você, será importante que você se dedique a conhecer um pouco mais dessa área.

Infelizmente, não temos a cultura da Educação Financeira e pouco sabemos a respeito de como nos organizar nesse aspecto da vida. Algumas famílias proporcionam esses aprendizados, mas as escolas e as universidades não.

Assim como na questão do marketing digital, é possível gastar algumas horas pesquisando sobre o assunto porque tem muito conteúdo bom e gratuito. Você irá aprender algumas coisas básicas, mas que já serão importantes para organizar seu fluxo de caixa, seu controle financeiro e organizar sua vida econômica.

Existem duas regras básicas sobre a gestão financeira da sua Clínica:

  • registre seu controle financeiro (apps gratuitos ou planilhas são o ideal, aposente o “caderninho”)
  • separe suas contas do “financeiro do consultório” do seu “financeiro pessoal” (tenha duas contas em banco)

Em relação aos pagamentos dos pacientes, cada profissional trabalha de um jeito: algumas cobram por sessão. Algumas cobram na última sessão do mês. Algumas cobram na primeira sessão do mês referente às sessões realizadas no mês anterior. Outras cobram um valor fixo e vão organizando “saldos” que ficam das sessões.

Essa é uma parte bem pessoal, quando não se tem uma organização, pode ficar confuso por não ter um dia certo em que o salário entra integralmente na sua conta como no CLT, na Clínica os pagamentos vão entrando aos poucos no decorrer do mês.

O ideal é chegar em um ponto que você tenha um “fluxo de caixa” (capital de giro), ou seja, se você tem R$3.000,00 de despesas no consultório por mês, você tenta começar o mês com esse dinheiro na conta, e o dinheiro que vai entrando no decorrer do mês servirá para pagar as contas do mês seguinte, é uma maneira de se organizar um pouco melhor.

Se for possível, concentrar os pagamentos de todos os pacientes (ou da maioria deles) na mesma data; isso também ajuda bastante, bem como concentrar os seus boletos no final do mês, pois provavelmente você já terá recebido todos os seus pagamentos.

Lembre-se que diferente de ter um salário fixo no CLT, o valor que você recebe no consultório oscila, inclusive alguns meses do ano como dezembro e janeiro costumam ser mais “fracos”, então você precisa se preparar para eles e também planejar suas férias, porque você também vai querer (e merecer) um descanso.

E-book “10 dicas para quem está começando na Clínica”

Dica 6: Organização financeira: bora fazer as contas!

Contabilidade: Psicóloga pode ser MEI?

CONTABILIDADE: PSICÓLOGA PODE SER MEI?

No início você provavelmente vai começar atuando como pessoa física, pois enquanto psicóloga, uma vez que sua profissão é regulamentada, você não poderá ser uma MEI. Ou você será pessoa física e vinculará seus recebimentos ao seu CPF e os recibos via Receita Saúde, ou você abrirá um CNPJ e emitirá nota fiscal. Existem diferentes tipos de CNPJ e você poderá decidir junto a uma consultoria em contabilidade qual seria a melhor opção para a sua realidade.

De maneira geral, no início de tudo, até mesmo os contadores orientam a começar como pessoa física e se preocupar com CNPJ apenas quando seu consultório começar a se consolidar e você estiver ganhando mais de R$5.000,00, até porque com a reforma tributária até R$5.000,00 mensais você estará isenta de pagar imposto. De pagar, e não de declarar, ok?

Uma das grandes questões é, como pessoa física, o imposto pago sobre cada recibo pode chegar em 27,5%; já como pessoa jurídica, o imposto é de 6% (para faturamento de até R$360.000,00 anuais) se fizer o Fator R para se enquadrar no anexo III (se você não entendeu essa última linha, sua contabilidade poderá te explicar!rs). No entanto, há a taxa da mensalidade do contador e também as taxas para abertura da empresa que precisam entrar nessa conta.

Mas de início valerá mais a pena declarar Imposto como Pessoa Física. Para isso, precisará ver a questão do ISS (Imposto Sobre Serviços) no seu município (que pode ter isenção ou não a depender de onde você atua), fazer o Carne Leão mensalmente (ainda que tenha isenção) e também pagar o INSS (Intituto Nacional de Seguridade Social).

Tudo isso você é quem precisará aprender para entender a respeito e se organizar para fazer. Quando você está em uma empresa é o DP (Departamento Pessoal) quem cuida disso, como trabalhadora autônoma é você quem precisará aprender, fazer escolhas e cuidar de todos esses detalhes dessa parte burocrática que é, também, muito importante para você estar regularizada frente à Receita Federal e podendo receber seus direitos relacionados à Seguridade Social.

Nesse sentido, a melhor coisa que podemos deixar como dica é: agende um horário para conversar com um contador e deixe esse profissional conhecer sua realidade e te dar as orientações corretas de como você deve conduzir essa parte da regulamentação.

Na Plataforma Psi da Sala ABC também temos um Workshop sobre “Contabilidade para Psis” que vale a pena assistir, entender como funciona, as novidades e atualizações. Nós o atualizamos todos os anos.

Muitas vezes essa questão contábil é negligênciada, sobretudo por quem está iniciando a jornada na Clínica, mas é fundamental, desde os primeiros recebimentos, saber como tudo funciona para não se colocar em risco e se manter regular. Estude!

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E-book “10 dicas para quem está começando na Clínica”
Dica 5: Contabilidade: psicóloga pode ser MEI?

Quanto cobro pela minha sessão?

QUANTO COBRO PELA MINHA SESSÃO?

Muitas pessoas pensam que vão começar a cobrar pouco e poderão aumentar o valor com o passar do tEmpo, conforme se tornar uma psicóloga mais experiente. Esse raciocínio tem lógica, mas na prática não é assim que as coisas funcionam. Vivemos em uma sociedade de classes marcada por profundas desigualdades, e são as classes sociais que determinam o valor da sua sessão.

Se sua rede de encaminhamentos se encontra na elite e você cobrar pouco não vão te contratar porque provavelmente vão considerar que seu serviço não é de qualidade. Se sua rede está na classe média alta, você trabalhará em uma faixa de preço dessa realidade e, se cobrar mais, ninguém terá condições de pagar. Se sua rede estiver na classe-média baixa, trabalhará em uma faixa menor de preços; e por mais experiente que se torne, não conseguirá cobrar mais do que a classe social que você tem como rede de encaminhamentos é capaz de pagar.

Nesse sentido, uma psicóloga recém-formada que vem da elite, estudou em universidade de elite e tem uma rede de encaminhamentos da elite, talvez comece cobrando o que uma psicóloga muito experiente de classe média-baixa, que estudou em universidades mais populares e tem uma rede de encaminhamento dentro da sua classe social nunca irá cobrar em uma sessão. Por isso não podemos falar em meritocracia quando estamos em um país com profunda desigualdade social!

Além de precificar o seu serviço, é preciso fazer uma básica pesquisa de mercado e saber quanto as psicólogas do seu círculo social e da sua região estão cobrando. Considere algumas coisas: quanto você gastará para atender (local, transporte) e quanto você pagará de imposto (falaremos disso na DICA 6).

Um exemplo simples: se você cobrar R$80,00 uma sessão e gastar R$25,00 para sublocar uma sala, R$12,00 de transporte e descontar os impostos, você terá aproximadamente uns R$45,00 de gastos e estará ganhando, na realidade, menos de 50% do valor que achou que estava ganhando. Será preciso pesquisar bastante, aprender sobre essa questão financeira e fazer as contas para chegar ao valor da sua sessão.

A Tabela do CRP é uma referência, mas sabemos que na prática são outras as questões como classe social, território e trajetória profissional que vão determinar o valor que você cobrará.

É difícil estipular uma referência pois a diferença pode chegar em 1500% entre uma psi e outra. Tem quem cobre R$30 e tem quem cobre R$500 por uma sessão.

DICA EXTRA: Além de tudo isso, vale lembrar que mesmo com uma agenda cheia, não serão todos os pacientes que irão pagar o valor integral que você cobra pela sua sessão.

Na prática, negociar (e diminuir) valores é algo comum no consultório particular, sobretudo para quem está começando na Clínica.

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Dica 4: Quanto cobro pela minha sessão?

Construa sua rede de encaminhamento

CONSTRUA SUA REDE DE ENCAMINHAMENTO

Essa é uma das tarefas mais difíceis, pois a faculdade ensina o que fazer quando o paciente está sentado na sua frente, mas não te ensina a colocar ele sentado lá. Construir uma rede de encaminhamentos leva tempo e dá trabalho, é preciso “construir o seu nome” associado à ideia de ser uma psicóloga. Como recém-formada, nem você mesma se sente psicóloga direito, como fazer com que outras pessoas saibam que você é psicóloga e pensem em te encaminhar pacientes?

No entanto, construir essa rede é fundamental, algumas pessoas fazem isso de forma mais orgânica e durante a própria graduação já foram construindo essa rede, outras precisarão colocar isso em prática de maneira mais estratégica nesse momento. No início é mais difícil, mas depois ela vai se “retroalimentando” até chegar em um momento que você terá sua rede “de fora” te encaminhando pacientes e sua rede “de dentro”, ou seja, os próprios pacientes, encaminhando novos pacientes.

Uma sugestão que damos para esse momento inicial é listar todas as pessoas que você acredita que fazem parte da sua rede e que podem te auxiliar nesse momento, enviar mensagens, se aproximar, pedir ajuda e não ter vergonha de dizer que está começando, que você já está atendendo.

As redes sociais podem contribuir para essa construção de rede de encaminhamentos (falarei delas na DICA 4), mas aqui quero que você foque nas pessoas que já conhece e nos lugares por onde já passou.

Quem são as pessoas que podem contribuir para que sua rede de encaminhamentos possa começar a se consolidar?

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Dica 3: Construa sua rede de encaminhamento

Agora você é uma trabalhadora autônoma!

AGORA VOCÊ É UMA TRABALHADORA AUTÔNOMA!

Esse talvez seja o seu principal desafio: construir-se enquanto trabalhadora autônoma.

Vivemos em uma sociedade que não está projetada para a autonomia. Se você parar para pensar, nas suas experiências com a família, na escola e no trabalho, quando foi que te ensinaram e incentivaram a ser autônoma? Muito pelo contrário, né?

No entanto, construir um projeto profissional na Clínica implica em se reconhecer como trabalhadora autônoma. E são muitos os entraves nesse processo. Na faculdade, o foco das aprendizagens está nos aspectos teórico-técnicos e ético-políticos da profissão, mas há toda uma dimensão comercial que, salvo raríssimas exceções, é totalmente negligenciado durante os cinco anos de formação. E você precisará aprender sobre ela.

Aprender a ter autonomia, a criar suas próprias regras, a se organizar sem que tenha uma figura de autoridade acima de você lhe direcionando para onde ir e o que fazer, agora é com você. O domínio teórico-técnico e a consciência ético-política são fundamentais para um bom trabalho, mas não são o suficiente para construir um projeto profissional na Clínica.

Você precisará aprender a fazer “a gestão de si mesma”, ser proativa, muitas vezes, autodidata, e construir uma maneira de ser e trabalhar que, provavelmente, será nova para você. E mais, sem o nome de uma grande instituição junto ao seu. Agora é você por você: seu nome e sobrenome.

Aprender como fazer a gestão financeira, como funcionam os impostos, como negociar valores, como cobrar pacientes, como publicizar seu trabalho, como construir uma rede de contatos, como organizar sua agenda, etc. Serão muitas as atividades e tarefas que você irá desempenhar para além do momento de “estar em atendimento” (essa parte que a faculdade ensinou). E além de lidar com todas essas aprendizagens, estará enfrentando as inseguranças de “será que eu sou uma boa psicóloga?”; “será que eu estou preparada para começar?”.

Como tudo, há vantagens e desvantagens em ser uma trabalhadora autônoma, a liberdade e o “não ter chefe” talvez sejam coisas boas, mas nem todas as pessoas se adaptam bem a isso; assumir plenamente as responsabilidades de todos os processos de trabalho é um grande desafio, bem como lidar com a instabilidade financeira de quem não tem mais um dia certo para receber o salário, não tem férias, não tem 13º e não tem nenhum outro benefício como no CLT.

Sim, não vamos mentir: não é fácil. Duvide de quem quiser te vender um curso milagroso com uma receita de sucesso, porque “na prática a teoria é outra”. Mas é possível, bastante possível. E pode ser muito bom.

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Dica 2: Agora você é uma trabalhadora autônoma!