Eu quero férias!

EU QUERO FÉRIAS!

E quem não quer?
As férias são uma grande conquista dos trabalhadores brasileiros. Um direito conquistado em 1925, inicialmente de 15 dias remunerados, que depois foi ampliado para 30 dias em 1943 com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e em 1988 com a nova Constituição Federal ainda se agregou o valor a ser recebido de 1/3 do salário.

Tudo isso é ótimo, mas apenas para quem é CLT, para quem é trabalhadora autônoma como quase 100% das psicólogas clínicas, as férias tem um significado muito diferente e coloca alguns desafios que com o tempo vamos aprendendo a lidar.

Primeiro desafio é o mais óbvio, quando um profissional autônomo não trabalha, ele não recebe. E aí as férias se colocam como um desejo e uma necessidade de descanso e, ao mesmo tempo, um receio e até um medo. Tanto da desorganização financeira porque ficará sem receber, quanto dos pacientes “desistirem” e não voltarem.

Eu lembro que nos meus primeiros anos como autônomo eu tirava férias de uma semana, no máximo 10 dias, basicamente entre o Natal e Ano Novo. E na primeira segunda-feira dia útil do ano já retornava ao trabalho. Que bom que essa fase já passou.

Nos últimos anos tenho conseguido tirar em torno de 45 dias de férias do consultório por ano, às vezes mais, às vezes menos. Mas para isso é preciso planejamento e organização.

Uma organização muito importante é a financeira, outra é a organização das datas e o período que ficará de férias. É importante levar em consideração que nossos pacientes tiram férias também, e via de regra, quando eles saem de férias, a gente também não recebe. Então são muitas variáveis que precisam ser levadas em consideração na hora de “construir suas férias”.

Sobre a organização financeira, é bem simples: se você quer ter 30 dias de férias no ano igual a um CLT, precisará calcular o valor do seu salário e das despesas do seu consultório, entender qual o valor total e dividir por 11. E ai você terá 11 meses pagando para si mesmo uma reserva de férias e no 12° mês você poderá ficar sem receber e utilizar essa reserva para não ter problemas com o seu financeiro.

Já o período das férias depende bastante do público, normalmente Natal, Ano Novo e a primeira ou segunda semana de janeiro muitos pacientes também estão de férias e o fluxo de atendimentos cai bastante, então é um bom período para fazer as suas férias também.

Outros períodos e sazonalidades dependem do público que você atende, com dois ou três anos de consultório você consegue mapear bem isso e ir se programando e alinhando o período da sua pausa nos atendimentos com o período em que boa parte dos seus pacientes também param.

Sobre as datas, eu tenho 2 sugestões. Uma é emendar feriados, principalmente os prolongados. É só pegar os outros três dias da semana e quando você soma os 2 dias do final de semana com os 3 dias que você decide pausar e mais os 4 dias de um feriado prolongado, você “perde” 3 dias de faturamento e faz uma pausa de 9 dias!

Por fim, para pausas mais longas, minha sugestão é pegar, por exemplo, 10 dias em um mês e 10 dias em outro mês, ou 15 e 15 se for parar por 30 dias. De preferência escolher meses que tem “5 semanas” com dias úteis de atendimento, isso minimiza muito o impacto financeiro das férias.

Que precisamos descansar é um fato, nosso trabalho é muito cansativo e essas pausas são extremamente importantes, eu particularmente gosto de fazer diferentes pausas ao longo do ano, algumas mais curtas e outras mais longas, mas, infelizmente para muitas psicólogas clínicas as férias se tornam um problema a ser enfrentado.

No entanto, com organização financeira, planejamento e escolhas estratégicas, as merecidas férias podem fluir bem sem grandes prejuízos, culpas ou preocupações.

Descansar é preciso. E se organizar para o descanso é indispensável. Com o tempo essa reserva das férias pode ir ficando maior e quem sabe você consegue até se pagar aquele 1/3 a mais do salário como os CLTs recebem.

Das reservas financeiras que um consultório precisa, penso que as férias são a primeira, pois garantem esse período de descanso sem grandes turbulências, depois o capital de giro e por fim a reserva de emergência, mas isso é conversa para outro texto.

Organizem-se e boas férias!

Forte abraço
Rafa Dutra

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