
COMO CONSEGUIR PACIENTES?
Esta é a pergunta que eu mais recebi em quase 9 anos promovendo dezenas de atividades para milhares de estudantes e profissionais na Sala ABC! Afinal, esta é a grande “dor” das psicólogas, principalmente das que estão começando na Clínica.
Os gurus do marketing ensinam que devemos conhecer bem nosso cliente e conhecer quais são as dores deles (os problemas para os quais poderemos vender a solução). Não à toa que toda hora somos atravessadas por propagandas de cursos e mentorias que ensinam a ter “agenda cheia em 3 meses“, “faturar 10k em 6 meses“, “como conseguir pacientes high-ticket“, etc.
Todo mundo sabe que este é o grande desafio de quem começa na clínica ou de quem quer levar seu consultório para um outro patamar de retorno financeiro. E dai chegam as promessas, são “metodologias comprovadas”, uso de redes sociais, Google Ads, Meta Ads, comunidades, plataformas, etc, mas no fundo a promessa é a mesma: vou te ajudar a conseguir seus pacientes. E as psicólogas compram essas promessas, às vezes pagam bem caro, inclusive.
Então, primeiro de tudo, cuidado com quem te promete este tipo de coisa, e não saia gastando seu dinheiro com isso. Lembre-se: não existe caminho fácil e nem rápido!
Este “conseguir pacientes” eu tenho chamado de “construir sua rede de encaminhamentos“, um processo artesanal, que leva tempo e depende de uma série de variáveis que nem sempre são passíveis de controle e previsibilidade.
Quando faço reflexões e orientações sobre esta questão, gosto de dizer que nosso desafio é transformar nossa rede de contatos – o famoso “network” – em uma rede de encaminhamentos. E existem diferentes caminhos para isso.
Porém, antes de sair investindo tempo, energia e dinheiro nisso, tem uma pergunta fundamental na qual a resposta mudará tudo o que você deverá fazer depois:
Quem é o paciente que eu quero ter?
E a resposta a essa pergunta deve ser completa, tipo um episódio do Globo Repórter de sexta-feira a noite: quem são, o que fazem, onde vivem?
Não basta apenas saber qual faixa etária você quer atender, que é o recorte mais comum das psis pensarem. É preciso pensar em tipos de demandas, questões identitárias, classe social, território e uma série de características para que, primeiro vc entenda bem quem é o público que você deseja atrair para o seu consultório, e só depois começar a criar estratégias para ir até eles, ou ainda melhor, para eles virem até você!
O digital é um caminho que chegou para ficar, ultimamente tenho visto psicólogas já consolidadas entrando nas redes também, mas vale lembrar que o digital é apenas um dos caminhos, e nem todo mundo se sente confortável com ele.
Na Psicologia Clínica de consultório, pela característica dos processos serem com encontros semanais ou quinzenais, não precisamos de muito pacientes, 20 ou 30 pacientes já configuram uma agenda cheia, então ter uma rede de encaminhamento, ainda que pequena, mas eficiente, pode fazer você construir seu consultório em poucos meses.
Tem algumas psis que tem perfil para ter aquele posicionamento mais “blogueirinha/ tiktoker” que a cartilha do marketing digital propõe, e algumas tem realmente bons resultados em transformar sua rede social em um espaço de encaminhamento de pacientes, mas arrisco dizer que 90% dos perfis profissionais na rede social não conseguem fazer isso.
Ainda no digital, ter um site, um blog, um perfil “vitrine”, um Google Meu Negócio, um cadastro em algumas plataformas de busca por psis e até investir em tráfego no Google ou na Meta podem dar resultado, desde que você tenha conhecimentos básicos deste universo e saiba o que está fazendo (ou contrate alguém que saiba).
Mas existe vida fora da Internet, e muitas possibilidades para construir sua rede de encaminhamentos fora dela também.
Parcerias com psicólogas de outras abordagens ou que atendem outros públicos, parcerias com profissionais da saúde, parceria com projetos ou instituições, participar de comunidades, frequentar grupos de supervisão e de estudos, ir a eventos, palestras, congressos e tudo quanto é lugar onde as pessoas possam te conhecer como psicóloga são maneiras de investir na construção da sua rede de contatos e, portanto, na sua rede de encaminhamentos.
Não acredito que exista a melhor estratégia, aquela que garanta resultados bons e rápidos. O resultado virá com as estratégias com as quais você se identifica e investe, com constância e dedicação por um período considerável, não será uma coisa de dias ou semanas.
Construir um consultório sólido é construir uma rede de encaminhamentos capaz de, primeiro, construir uma boa agenda e, segundo, fazer a manutenção diante das variações de entrada e saída de pacientes. Inclusive, com o tempo, suas próprias pacientes e ex-pacientes vão se tornar sua rede de encaminhamentos. Quando isso acontecer, seu consultório estará quase que “rodando sozinho”.
No entanto, este processo não é simples e nem rápido, envolve conhecimento, tempo e ação. Sua rede começa a ser construída ainda durante sua graduação, com suas professoras, supervisoras e colegas de turma e de curso. Ou seja, não é um processo que você só começa depois de ter o CRP na mão.
Bora estudar e construir sua rede!
Forte abraço!
Rafa Dutra