
“NINGUÉM SE TORNA PSICOTERAPEUTA SOZINHO!”
É comum, no início da prática clínica, que o psicoterapeuta se questione sobre como ajudará seus pacientes sem a vivência de um consultório — sem a experiência de ter sido o par de mãos que ampara as do outro durante suas histórias de superação, dores, perdas, lutos e conquistas.
Na verdade, tornar-se psicólogo vai muito além do que ocorre dentro do setting. Ser psicólogo não é ser ilha; existe todo um bioma em torno dela. Engana-se quem se ancora no conceito de neutralidade apenas para se enquadrar nos moldes de um “bom profissional”.
Um psicólogo nunca entra no consultório sozinho para atender. Entram com ele seus professores, suas leituras de lazer, os momentos em família, os animais de estimação, seus escritos e anseios. Entram também os artigos e materiais didáticos que trazem o estofo acadêmico, imprescindível para cuidar do outro. Para que este espaço se torne um lugar de escuta e transformação, carregamos conosco uma multidão. O fazer clínico não acontece no vácuo, mas no espaço que se cria quando somos atravessados por essas referências.
Essa volta de 360 graus em torno da vida, da nossa e da do outro, é o que sustenta o manejo, torna humana a troca e transforma a escuta em conforto, segurança e, muitas vezes, alívio.
A clínica é o encontro entre duas subjetividades. Um psicólogo recém-formado não acaba de nascer; ele acaba de se reconhecer capaz de exercer esse cuidado. O tempo só moldará esse conhecimento prévio se dermos, corajosamente, a oportunidade ao início.
Thalita Reis
É isso! Atravessar e ser atravessado. Somos construídos por encontros, vivências e pessoas.
Obrigada pelas palavras, Thalita! Por aqui fez muito sentido. <3
Obrigada Maria Fernanda, feliz que esse texto tenha te tocado de alguma forma <3