Construa sua rede de encaminhamento

CONSTRUA SUA REDE DE ENCAMINHAMENTO

Essa é uma das tarefas mais difíceis, pois a faculdade ensina o que fazer quando o paciente está sentado na sua frente, mas não te ensina a colocar ele sentado lá. Construir uma rede de encaminhamentos leva tempo e dá trabalho, é preciso “construir o seu nome” associado à ideia de ser uma psicóloga. Como recém-formada, nem você mesma se sente psicóloga direito, como fazer com que outras pessoas saibam que você é psicóloga e pensem em te encaminhar pacientes?

No entanto, construir essa rede é fundamental, algumas pessoas fazem isso de forma mais orgânica e durante a própria graduação já foram construindo essa rede, outras precisarão colocar isso em prática de maneira mais estratégica nesse momento. No início é mais difícil, mas depois ela vai se “retroalimentando” até chegar em um momento que você terá sua rede “de fora” te encaminhando pacientes e sua rede “de dentro”, ou seja, os próprios pacientes, encaminhando novos pacientes.

Uma sugestão que damos para esse momento inicial é listar todas as pessoas que você acredita que fazem parte da sua rede e que podem te auxiliar nesse momento, enviar mensagens, se aproximar, pedir ajuda e não ter vergonha de dizer que está começando, que você já está atendendo.

As redes sociais podem contribuir para essa construção de rede de encaminhamentos (falarei delas na DICA 4), mas aqui quero que você foque nas pessoas que já conhece e nos lugares por onde já passou.

Quem são as pessoas que podem contribuir para que sua rede de encaminhamentos possa começar a se consolidar?

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E-book “10 dicas para quem está começando na Clínica”
Dica 3: Construa sua rede de encaminhamento

Agora você é uma trabalhadora autônoma!

AGORA VOCÊ É UMA TRABALHADORA AUTÔNOMA!

Esse talvez seja o seu principal desafio: construir-se enquanto trabalhadora autônoma.

Vivemos em uma sociedade que não está projetada para a autonomia. Se você parar para pensar, nas suas experiências com a família, na escola e no trabalho, quando foi que te ensinaram e incentivaram a ser autônoma? Muito pelo contrário, né?

No entanto, construir um projeto profissional na Clínica implica em se reconhecer como trabalhadora autônoma. E são muitos os entraves nesse processo. Na faculdade, o foco das aprendizagens está nos aspectos teórico-técnicos e ético-políticos da profissão, mas há toda uma dimensão comercial que, salvo raríssimas exceções, é totalmente negligenciado durante os cinco anos de formação. E você precisará aprender sobre ela.

Aprender a ter autonomia, a criar suas próprias regras, a se organizar sem que tenha uma figura de autoridade acima de você lhe direcionando para onde ir e o que fazer, agora é com você. O domínio teórico-técnico e a consciência ético-política são fundamentais para um bom trabalho, mas não são o suficiente para construir um projeto profissional na Clínica.

Você precisará aprender a fazer “a gestão de si mesma”, ser proativa, muitas vezes, autodidata, e construir uma maneira de ser e trabalhar que, provavelmente, será nova para você. E mais, sem o nome de uma grande instituição junto ao seu. Agora é você por você: seu nome e sobrenome.

Aprender como fazer a gestão financeira, como funcionam os impostos, como negociar valores, como cobrar pacientes, como publicizar seu trabalho, como construir uma rede de contatos, como organizar sua agenda, etc. Serão muitas as atividades e tarefas que você irá desempenhar para além do momento de “estar em atendimento” (essa parte que a faculdade ensinou). E além de lidar com todas essas aprendizagens, estará enfrentando as inseguranças de “será que eu sou uma boa psicóloga?”; “será que eu estou preparada para começar?”.

Como tudo, há vantagens e desvantagens em ser uma trabalhadora autônoma, a liberdade e o “não ter chefe” talvez sejam coisas boas, mas nem todas as pessoas se adaptam bem a isso; assumir plenamente as responsabilidades de todos os processos de trabalho é um grande desafio, bem como lidar com a instabilidade financeira de quem não tem mais um dia certo para receber o salário, não tem férias, não tem 13º e não tem nenhum outro benefício como no CLT.

Sim, não vamos mentir: não é fácil. Duvide de quem quiser te vender um curso milagroso com uma receita de sucesso, porque “na prática a teoria é outra”. Mas é possível, bastante possível. E pode ser muito bom.

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E-book “10 dicas para quem está começando na Clínica”
Dica 2: Agora você é uma trabalhadora autônoma!

Tenha paciência no seu processo de construção na Clínica

“TENHA PACIÊNCIA NO SEU PROCESSO DE CONSTRUÇÃO NA CLÍNICA”

Nossa primeira dica não poderia ser outra: CONSTRUÇÃO!

É muito importante entender que você está vivendo um PROCESSO de CONSTRUÇÃO. Essas são palavras comuns na Psicologia, e extremamente importantes para se aplicar a muitas coisas na vida, com a construção de um projeto profissional na Clínica não é diferente.

Cada pessoa tem uma história, um contexto, um suporte econômico, uma rede de contatos, facilidades e limitações bastante distintas, o seu PROCESSO será apenas seu. É bacana se inspirar em outras pessoas, aprender com erros e acertos alheios, mas não existem receitas, e sempre que alguém quiser apresentar uma receita para você, repare, essa pessoa vai tentar te vender alguma coisa!

A Clínica é o campo de atuação mais tradicional na Psicologia, não só pelo contexto histórico, mas porque, na prática, 67% das psicólogas têm na Clínica uma atividade profissional primária ou secundária. Além disso, é o campo de atuação que ocupa o imaginário social, tanto da população em geral, quanto das pessoas que entram na graduação em Psicologia.

No entanto, são raros os casos em que a Clínica oferece um retorno rápido, sobretudo financeiro. Em médio e longo prazo, esse retorno poderá vir, mas é um processo, terão altos e baixos, desafios e o mais difícil é fazer a roda começar a girar. Como nas leis da física, colocar algo em movimento exige mais força do que manter em movimento depois, então tenha paciência!

Estude, estude muito, mas não apenas sobre Psicologia. Converse com as pessoas. Participe de atividades. Faça cursos. Esteja aberta a aprender e, principalmente, se coloque em movimento. Ter paciência não é ter passividade. É ser ativa sem ficar fritando na ansiedade. São muitos os medos, as inseguranças, as expectativas e os desejos. Mas é possível!

Não precisamos aqui ficar contando “histórias de superação” de pessoas que enfrentaram desafios, quase desistiram e conseguiram. Basta você olhar em volta, muita gente está construindo um projeto profissional na Clínica, então é preciso afirmar que sim, é possível! Nem tão simples como às vezes fazem parecer, nem tão difícil como alguns imaginam ser.

Caso você realmente tenha o desejo de construir um projeto profissional na Clínica eu te deixo uma simples pergunta: POR QUE NÃO?!

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E-book “10 dicas para quem está começando na Clínica”
Dica 1: Tenha paciência no seu processo de construção na Clínica