Construa sua rede de encaminhamento

CONSTRUA SUA REDE DE ENCAMINHAMENTO

Essa é uma das tarefas mais difíceis, pois a faculdade ensina o que fazer quando o paciente está sentado na sua frente, mas não te ensina a colocar ele sentado lá. Construir uma rede de encaminhamentos leva tempo e dá trabalho, é preciso “construir o seu nome” associado à ideia de ser uma psicóloga. Como recém-formada, nem você mesma se sente psicóloga direito, como fazer com que outras pessoas saibam que você é psicóloga e pensem em te encaminhar pacientes?

No entanto, construir essa rede é fundamental, algumas pessoas fazem isso de forma mais orgânica e durante a própria graduação já foram construindo essa rede, outras precisarão colocar isso em prática de maneira mais estratégica nesse momento. No início é mais difícil, mas depois ela vai se “retroalimentando” até chegar em um momento que você terá sua rede “de fora” te encaminhando pacientes e sua rede “de dentro”, ou seja, os próprios pacientes, encaminhando novos pacientes.

Uma sugestão que damos para esse momento inicial é listar todas as pessoas que você acredita que fazem parte da sua rede e que podem te auxiliar nesse momento, enviar mensagens, se aproximar, pedir ajuda e não ter vergonha de dizer que está começando, que você já está atendendo.

As redes sociais podem contribuir para essa construção de rede de encaminhamentos (falarei delas na DICA 4), mas aqui quero que você foque nas pessoas que já conhece e nos lugares por onde já passou.

Quem são as pessoas que podem contribuir para que sua rede de encaminhamentos possa começar a se consolidar?

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E-book “10 dicas para quem está começando na Clínica”
Dica 3: Construa sua rede de encaminhamento

Psicóloga, você não é empreendedora!

PSICÓLOGA, VOCÊ NÃO É EMPREENDEDORA! “

Tenho ciência de que este título produz simpatia e repulsa. Uma parte das leitoras vai querer ler porque concorda, a outra parte não vai querer ler porque discorda, mas convido ambas a seguir pelos próximos parágrafos, provavelmente não é sobre o que nenhuma das duas espera. 

Eu lembro quando ouvi a palavra empreendedorismo pela primeira vez na vida, eu tinha 17 anos e foi numa palestra que um professor da Faculdade de Engenharia da Mauá (IMT) foi dar na minha escola. Confesso que ali não entendi direito, mas lembro dele falar que era o conceito do trabalho do futuro! 

Exatos 24 anos depois, eu entendo mais deste assunto, e até a contra-gosto, passei a ser reconhecido  como um “psicólogo empreendedor” por algumas pessoas. Há algumas semanas recebi estudantes de uma faculdade da região que tinham que fazer uma entrevista para a disciplina de “Psicologia e Empreendedorismo” e também já recebi alguns convites para fazer falas sobre este assunto. 

E de fato sou, tenho dois projetos que me colocam neste papel social, embora eu não goste de usar este “título”. Tanto a Sala ABC, um coworking psi, quanto o IP.abc – Instituto de Psicologia do Grande ABC, um instituto de formação, me gabaritam para este rótulo. 

Mas minha formação crítica em Psicologia me impede de cair no canto da sereia neoliberal e na glamourização que este termo trouxe para o mundo do trabalho, em específico o mundo do trabalho psi. 

É preciso ter consciência de classe e compreender criticamente as estruturas que constróem o mundo do trabalho. Dizer-se empreendedora virou moda e parece coisa de gente boa, ryca e bacanuda, tanto para colocar no instagram, no linkedin ou no tinder. 

Lembro, com um certo sorriso debochado no rosto, da revolta de algumas psicólogas num grupo de whatsapp quando um site que era famoso por ser usado para pesquisar por trabalhadores de serviços de manutenção (pintor, eletrecista, encanador, etc) abriu a possibilidade de pesquisar por psicólogas. 

Voilà! Elas se descobriram classe trabalhadora! 

O discurso neoliberal do empreendedorismo foi entrando na Psicologia aos poucos e ganhou muito espaço nos últimos anos. Sem dúvida o status de empreendedora é mais chique do que o de “profissional liberal”, como era dito antigamente, ou de “trabalhadora autônoma”, como eu gosto de dizer. 

Psicólogas podem sim ser empreendedoras, mas as psicólogas clínicas que vendem seu serviço de psicoterapia no consultório não são. E explico: 

Uma psicóloga pode empreender, criar projetos, empresas, montar equipes, e atuar deste lugar que o empreendedorismo propõe a quem tem uma ideia, tem coragem de tirar do papel e colocar a “skin in the game“, como eles – os empreendedores – gostam de dizer. Conheço algumas psis que são empreendedoras! E sei o quanto é difícil e admiro quem se lança neste desafio, embora não admire todos os projetos que são criados por aí. 

Já a psicóloga clínica é outra coisa. Ter um CNPJ não faz de ninguém empreendedora e nem CEO de consultório de uma psicóloga só. Estudar marketing, finanças, processos comerciais e administrativos, vendas, inovações, etc, não coloca ninguém no status de empreendedora, apenas a coloca no caminho de fazer uma gestão mais profissional e consciente do seu trabalho na clínica. 

Vender o serviço de psicoterapia e você mesma executar o serviço não faz de você empreendedora, mas sim uma trabalhadora autônoma. Defender este conceito é defender uma consciência de classe trabalhadora, bem como compreender todas as habilidades e competências necessárias para fazer um bom trabalho no consultório. 

Para as psis que querem realmente se aventurar com seus projetos no mundo do empreendedorismo, desejo boa sorte. Para as trabalhadoras autônomas do campo da Psicologia Clínica também, pois como disse no texto anterior, viver de Clinica é (bem) difícil.

Reconhecer-se trabalhadora autônoma é uma questão de posicionamento ético-político, consciência de classe, de identidade e de “lugar no mundo”, ainda que esta psi autônoma fature e ganhe mais que a psi empreendedora. 

Ter consciência de classe nos ajuda a reconhecer as estruturas do trabalho, a precarização e a exploração da força de trabalho psi. Entender sobre as condições do trabalho, sobretudo do próprio, nos ajuda a nos localizar na sociedade, e saber-se onde está é fundamental para não se alienar – inclusive – de si mesma. 

Em tempos de sujeito empreendedor-de-si-mesmo nesta cultura neoliberal que constitui nossa subjetividade e impõe desejos e caminhos profissionais, reconhecer-se trabalhadora autônoma na Clinica é, além de uma consciência crítica, um ato de resistência. 

Forte abraço 
Rafa Dutra

O desaprendizado necessário

“O DESAPRENDIZADO NECESSÁRIO”

Antes de ser psicóloga, sou também publicitária.

Uso o “também” de forma intencional para deixar claro que meu passado integra meu presente. Minha formação inicial me trouxe recursos valiosos para esta nova fase, mas para quem, assim como eu, atravessa uma transição de carreira, a pergunta fundamental é: Quais desses recursos atendem às minhas novas necessidades e quais podem ser prejudiciais ao meu novo papel profissional? Se nada é descartado, tudo deve ser utilizado?

Na minha primeira formação, o objetivo era uma comunicação clara, rápida e de impacto. Um anúncio deve ter trinta segundos; um título com mais de duas linhas perde atenção do leitor. Hoje, as redes sociais oferecem vídeos curtíssimos ensinando desde receitas de bolo a fórmulas de comportamento. Tudo parece poder ser aprendido rápido e de uma vez. A experiência corre diante dos olhos na tela, mas o que realmente fica dela? A comunicação publicitária sempre caminhou (ou correu?) nessa velocidade acelerada, tentando manter tudo “em dia”: a academia, a carreira, a terapia.

Hoje, na clínica, me encontro com o temido silêncio do paciente. Mesmo sem décadas de formação, já percebo que esse silêncio não é ausência, mas uma mensagem em estado bruto, um espaço onde o paciente ensaia o que ainda não tem palavras para dizer. Se como publicitária meu trabalho era pautado na ânsia de resolver e antecipar estratégias focadas em resultados, na clínica devo esperar respeitosamente que o paciente o faça. No tempo dele. Com seus próprios recursos. Se antes o foco era entender o comportamento de muitos, agora o desafio é ater-me ao universo de um só.

Tenho aprendido que o sintoma é, na verdade, um ruído que insiste em comunicar algo. Me papel mudou: de quem evita o ruído para quem o escuta com interesse ético. Essa ética e acolhimento nascem justamente quando escolho desistir de “comunicar algo” para permitir que o outro se comunique através de mim. Descobri que o acolhimento é o canal mais limpo por onde a fala pode transitar sem julgamentos.

Precisei desaprender a pressa da resposta para permitir a demora da pergunta. A precisão que eu buscava para atingir determinado público, hoje dedico à singularidade de quem se senta à minha frente. A comunicação me deu a técnica de alcance, mas a psicologia me deu a profundidade do encontro. Se antes eu buscava a imagem e a persuasão, hoje trabalho com o que está por trás das camadas dos papéis sociais. Minha experiência com a linguagem agora serve a um propósito maior: ajudar o outro a ouvir suas próprias dores, a traduzir-se para o mundo, no seu próprio tempo.

​Para as que estão também nessa tarefa da transição de carreira, deixo a reflexão: Será que estamos usando a nossa bagagem a favor dessa nova profissão sem influenciar na trajetória de nossos pacientes? Ou estamos de fato permitindo a calma de testemunhar o que nasce no tempo dele?

Thalita Reis

Desafios da Terapia | Evite o diagnóstico

DESAFIOS DA TERAPIA | EVITE O DIAGNÓSTICO

Nesta coluna trazemos um capítulo do livro “Desafios da Terapia: reflexões para a nova geração de pacientes e terapeutas” do médico, psicoterapeuta e escritor Irvin D. Yalom. Depois do texto, você poderá conferir as reflexões da Maria Fernanda, enquanto estudante de Psicologia, e do Rafa Dutra, enquanto psicólogo clínico, professor e supervisor. Aproveitem!

Os estudantes de psicoterapia de hoje em dia estão expostos a uma ênfase excessiva no diagnóstico. Os administradores de planos de saúde exigem que os terapeutas cheguem rapidamente a um diagnóstico preciso e, em seguida, prossigam com um curso de terapia breve e focada que corresponda a esse diagnóstico específico. Parece bom. Parece lógico e eficiente. Mas tem muito pouco a ver com a realidade. Em vez disso, representa uma tentativa ilusória de impor a precisão científica quando ela não é possível nem desejável.

Embora o diagnóstico seja inquestionavelmente crítico nas considerações de tratamento para muitas condições graves com um substrato biológico (por exemplo, esquizofrenia, transtornos bipolares, transtornos afetivos graves, epilepsia do lobo temporal, toxicidade de drogas, doença orgânica ou cerebral causada por toxinas, causas degenerativas ou agentes infecciosos), o diagnóstico é muitas vezes contraproducente na psicoterapia cotidiana de pacientes menos gravemente prejudicados.

Por quê? Primeiro, a psicoterapia consiste em um processo de desenvolvimento gradual em que o terapeuta tenta conhecer o paciente do modo mais pleno possível. Um diagnóstico limita a visão; ele diminui a capacidade de se relacionar com o outro enquanto pessoa. Uma vez que fazemos um diagnóstico, tendemos a desatentar seletivamente para aspectos do paciente que não se encaixam naquele diagnóstico específico e, por consequência, a superestimar características sutis que parecem confirmar um diagnóstico inicial. Além disso, um diagnóstico pode atuar como uma profecia autorrealizável.

Relacionar-se com um paciente como “borderline” ou “histérico” pode servir para estimular e perpetuar essas mesmas características. De fato, há uma longa história de influência iatrogênica na forma de entidades clínicas, incluindo a atual controvérsia sobre transtorno de personalidade múltipla e memórias reprimidas de abuso sexual. E tenha em mente, também, a baixa confiabilidade da categoria de transtorno de personalidade do DSM (com frequência, os próprios pacientes se envolvem em psicoterapia de longo prazo).

E que terapeuta não se impressionou com o quanto é mais fácil fazer um diagnóstico baseado no DSM-IV depois da primeira entrevista do que muito mais tarde – digamos, da décima sessão em diante -, quando sabemos muito mais sobre o indivíduo? Não é um tipo estranho de ciência? Um colega meu traz essa questão para seus residentes psiquiátricos perguntando: “Se você está fazendo psicoterapia pessoal ou está considerando fazer, que diagnóstico do DSM-IV você acha que seu terapeuta poderia usar para descrever alguém tão complicado quanto você?”.

Na empreitada terapêutica, devemos traçar uma linha tênue entre alguma, mas não muita, objetividade; se levarmos o DSM muito a sério, se acreditarmos que estamos mesmo manipulando as articulações da natureza, então podemos ameaçar o humano, o espontâneo, a natureza criativa e incerta do empreendimento terapêutico. Lembre-se de que os clínicos envolvidos na formulação de sistemas diagnósticos anteriores, agora descartados, eram competentes, orgulhosos e tão confiantes quanto os atuais membros dos comitês do DSM. Sem dúvida, chegará o tempo em que o formato de menu de restaurante chinês do DSM-IV parecerá ridículo para os profissionais de saúde mental.

Maria Fernanda |
Estudante de Psicologia

Estudante do 7º semestre do curso de Psicologia da USCS – Universidade de São Caetano do Sul, Maria se interessa pela Clínica em Psicologia e vem se inspirando pelas discussões da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung.

Esse segundo capítulo aborda um assunto que, atualmente, acompanhando as redes sociais, é um dos tópicos mais comentados: a patologização excessiva e a busca por diagnóstico a todo custo. A sensação que eu tenho é que tudo precisa virar diagnóstico e há uma necessidade de se encaixar em alguma “categoria”.

Na faculdade debatemos bastante sobre como o diagnóstico pode limitar o paciente e o profissional. Ao ponto de deixar de vê-lo como um indivíduo e passar a vê-lo como o diagnóstico. Desconsiderando a complexidade e limitando um sujeito inteiro em uma categoria. E que bom que Yalom já vem problematizando isso!

Para mim, faz sentido e eu acredito que o diagnóstico não pode substituir o encontro, a escuta, a profundidade e a complexidade que é ser humano. É necessário considerar e entender todas as nuances, condições de desenvolvimento, aspectos sociais, políticos e históricos.

Ser humano é ser complexo. E nenhum sujeito cabe inteiro em uma categoria. E isso precisa ser problematizado e pautado ainda mais.


Rafa Dutra |
Psicólogo Clínico e Professor

Psicólogo, especialista em Psicologia Clínica, em Psicologia Escolar e mestre em Educação. Atua como psicoterapeuta desde 2008 em consultório particular a partir da Psicologia Sócio-Histórica. É, também, professor e supervisor.

A primeira edição deste livro está prestes a completar bodas de prata, Yalom traz esta provocação em 2002, e ele termina o texto dizendo que “chegará o tempo em que o formato de menu de restaurante chinês do DSM-IV parecerá ridículo para os profissionais de saúde mental“. Pois bem, com o DSM-V e o que temos visto acontecer, penso que este tempo chegou.

Hoje temos todo um movimento que faz a discussão, no Brasil e no mundo, sobre o fenômeno da patologização e medicalização da vida. Um movimento que problematiza o quanto essa ênfase no diagnóstico, com a desculpa de que “isso sim é Ciência” vem desconsiderando a complexidade que constitui o ser humano e, sobretudo, as condições sociais que produzem determinadas condições psicológicas.

Achei muito interessante e provocativa a fala dele dizendo que é muito mais fácil fazer um diagnóstico nas primeiras sessões do que depois da décima, quando toda a complexidade da pessoa que esta diante de nós vai se desdobrando e aparecendo no processo terapêutico, e concordo.

Eu, particularmente, sempre gostei de substituir a palavra diagnóstico pela palavra mapeamento. Primeiro, para fugir do vocabulário médico, segundo porque penso que vamos de fato mapeando e conhecendo a pessoa, sua história, suas questões, suas relações e seus projetos, um mapa inacabado, que nos ajuda a criar estratégias terapêuticas, mas que se sabe inacabado e em movimento.

Finalizo fazendo minhas as palavras do Yalom: evite o diagnóstico!

Agora você é uma trabalhadora autônoma!

AGORA VOCÊ É UMA TRABALHADORA AUTÔNOMA!

Esse talvez seja o seu principal desafio: construir-se enquanto trabalhadora autônoma.

Vivemos em uma sociedade que não está projetada para a autonomia. Se você parar para pensar, nas suas experiências com a família, na escola e no trabalho, quando foi que te ensinaram e incentivaram a ser autônoma? Muito pelo contrário, né?

No entanto, construir um projeto profissional na Clínica implica em se reconhecer como trabalhadora autônoma. E são muitos os entraves nesse processo. Na faculdade, o foco das aprendizagens está nos aspectos teórico-técnicos e ético-políticos da profissão, mas há toda uma dimensão comercial que, salvo raríssimas exceções, é totalmente negligenciado durante os cinco anos de formação. E você precisará aprender sobre ela.

Aprender a ter autonomia, a criar suas próprias regras, a se organizar sem que tenha uma figura de autoridade acima de você lhe direcionando para onde ir e o que fazer, agora é com você. O domínio teórico-técnico e a consciência ético-política são fundamentais para um bom trabalho, mas não são o suficiente para construir um projeto profissional na Clínica.

Você precisará aprender a fazer “a gestão de si mesma”, ser proativa, muitas vezes, autodidata, e construir uma maneira de ser e trabalhar que, provavelmente, será nova para você. E mais, sem o nome de uma grande instituição junto ao seu. Agora é você por você: seu nome e sobrenome.

Aprender como fazer a gestão financeira, como funcionam os impostos, como negociar valores, como cobrar pacientes, como publicizar seu trabalho, como construir uma rede de contatos, como organizar sua agenda, etc. Serão muitas as atividades e tarefas que você irá desempenhar para além do momento de “estar em atendimento” (essa parte que a faculdade ensinou). E além de lidar com todas essas aprendizagens, estará enfrentando as inseguranças de “será que eu sou uma boa psicóloga?”; “será que eu estou preparada para começar?”.

Como tudo, há vantagens e desvantagens em ser uma trabalhadora autônoma, a liberdade e o “não ter chefe” talvez sejam coisas boas, mas nem todas as pessoas se adaptam bem a isso; assumir plenamente as responsabilidades de todos os processos de trabalho é um grande desafio, bem como lidar com a instabilidade financeira de quem não tem mais um dia certo para receber o salário, não tem férias, não tem 13º e não tem nenhum outro benefício como no CLT.

Sim, não vamos mentir: não é fácil. Duvide de quem quiser te vender um curso milagroso com uma receita de sucesso, porque “na prática a teoria é outra”. Mas é possível, bastante possível. E pode ser muito bom.

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E-book “10 dicas para quem está começando na Clínica”
Dica 2: Agora você é uma trabalhadora autônoma!