Os desafios do atendimento online!

OS DESAFIOS DO ATENDIMENTO ONLINE

A pandemia mudou tudo! Podemos falar sobre o lugar do atendimento online na Psicologia como “antes e depois” de 2020. Não que ele não existia, mas era marginal, poucas eram as psicólogas que faziam, muitas eram as críticas e se sabia ser algo que provavelmente cresceria no futuro, mas o futuro parecia um pouco mais distante.

Em março de 2020 com o lockdown, de repente, praticamente todas as psicólogas migraram todos os seus pacientes para o atendimento online e foram conhecer este universo. Fizemos nosso cadastro no e-psi (que era preciso na época, hoje não mais) e descobrimos, da noite para o dia, como era atender online. Ali começava uma nova realidade para quem trabalha com Clínica em Psicologia. 

Até fevereiro de 2020, 95% dos meus pacientes eram presenciais, atualmente tenho 75% online e mais uns 10% que são “híbridos”, às vezes online, às vezes presencial. Em apenas 6 anos tudo mudou, e mudou muito rápido. Primeiro por sobrevivência, depois por tendência e “facilidade”. 

Hoje as psis que acabam de se formar só falam sobre atendimento online, pois à primeira vista ele é mesmo sedutor. Poder atender de casa ou em qualquer lugar do mundo (o fetiche de ser nômade digital que atravessa esta nova geração), além do principal atrativo, baixar drasticamente o investimento e o custo fixo para manter um consultório ou ter um espaço de atendimento presencial além de quebrar a barreira territorial e ao invés de ter a possibilidade de atender apenas pessoas que poderiam chegar até você, passar a poder atender qualquer pessoa que fale sua língua e tenha acesso à internet em qualquer lugar do mundo. E sair de um raio de alguns milhares de possíveis pacientes para alguns milhões em qualquer canto do planeta é estatisticamente um ganho substancial. É bastante sedutor, né?

E isto não é uma possibilidade, é uma realidade, é assim que a Clínica em Psicologia em 2026 vem se construindo – e sim, aqui faço um recorte do trabalho numa perspectiva de atendimento individual de classe média e rica, no estilo tradicional da clínica psi mesmo. Esta quebra de barreira territorial, a diminuição do custo para realizar o serviço, a liberdade geográfica e a ideia de trabalhar de casa podem ser realmente coisas muito boas. Mas vamos também às problematizações. 

Primeiro do ponto de vista técnico, logo que começou a pandemia, uma das maiores dificuldades foi das profissionais que atendiam crianças, a migração para o atendimento online de adultos foi bem tranquila, dos adolescentes um pouco mais delicada, agora das crianças foi bastante complexo. Se por um lado fomos descobrindo e criando ferramentas e estratégias digitais para realizar o atendimento, o desafio deste tipo específico de atendimento é bem grande. Assim como com avaliação psicológica, a aplicação de testes também se tornou um desafio pois muitos testes são elaborados e validados para aplicação presencial, e nem sempre a adaptação é possível. 

Além disso, do ponto de vista menos óbvio, três questões se sobressaem, primeiro o “paciente-sem-corpo”. Na tela perde-se boa parte da expressão corporal do paciente, o que não inviabiliza – de maneira alguma – o atendimento, mas reduz a percepção da psicóloga. Outra questão, a concentração do paciente que às vezes está com outras telas abertas e até vendo (e respondendo) mensagens ou e-mails, principalmente de coisas do trabalho, durante a sessão, ou então os atravessamentos no atendimento, seja o filho chamando, o pet sentando na frente da tela, o interfone tocando ou outras tantas coisas que atravessam a sessão quando “entramos” na casa das pessoas (e as pessoas nas nossas casas), além da perda do tempo e do ritual de ir e voltar do atendimento, um espaço-tempo que tem sua importância no processo. Hoje é comum terminar a sessão, mudar de tela e começar, imediatamente, outra atividade. Nada disso impossibilita o atendimento, mas é inevitável que algumas coisas se percam no caminho. 

No entanto, existe algo mais que ainda é pouco falado: por trás dessa grande liberdade e desse conforto de trabalhar de casa, também se estabelece uma grande dificuldade da psicóloga estabelecer rotina de trabalho, fronteiras entre o trabalho e a casa, a solidão que já era presente no trabalho na clínica, aumenta, e muitas psis acabam adoecendo silenciosamente e sem perceber por conta dessa dinâmica meio caótica e desregrada de trabalho. 

Não acredito que o atendimento online seja um caminho que será revertido, acredito que nos próximos anos os atendimentos presenciais devem aumentar um pouco em relação ao como tem sido hoje em dia pelo fato das pessoas voltarem a trabalhar nas empresas e, também, nos atendimentos das pessoas de classes sociais mais ricas, afinal, nos dias de hoje tempo é um luxo que poucos podem ter (e aí a desigualdade se expressará mais uma vez). 

Penso que aos poucos a Psicologia vai produzir referencial teórico, adaptar e criar técnicas e instrumentos 100% voltados para os atendimentos online, e é preciso que este processo seja acompanhado de perto, sobretudo pelo Sistema Conselhos (CFP e CRPs), responsável, entre outras coisas, pela regulamentação dos serviços em Psicologia.

O atendimento online é a modalidade de atendimento que dominou a Clínica em Psicologia nos últimos anos e, para além das questões simples de estrutura e equipamentos, é preciso que pensemos em como nos organizar para que a gente não adoeça trabalhando desta maneira. 

Trabalhar como psicóloga é muito desafiador; e agora o atendimento online, embora sedutor, traz novas camadas de desafios para o cotidiano do nosso trabalho. É preciso pensar e se posicionar a respeito deles. 

Forte abraço!
Rafa Dutra 

Meu primeiro Dia das Mães

MEU PRIMEIRO DIA DAS MÃES

2026 foi meu primeiro Dia das Mães como Psicóloga. Algo que eu nem imaginava que pudesse trazer tantas mudanças na forma como percebo a mim mesma e a profissão que escolhi. Enquanto estudante, a data já me gerava reflexões mais aprofundadas sobre o que é materno. Agora formada, com meus próprios pacientes, minhas novas responsabilidades, veio o impacto da prática. Fui lançada às demandas que a data carrega tal qual um bebê deixando um útero quente e seguro depois de um parto complicado.

Meu pré-natal de 5 anos foi a faculdade, os médicos, enfermeiros, doulas e outras grávidas, foram meus professores e colegas de classe. Mas a graduação acaba. E assim como a puérpera sai do hospital com seu filho, eu saí da faculdade com meu diploma. E neste caso eu era o bebê. E também a mãe.

Diante de tantas possibilidades, engatinhei em direção a clínica. Dentre tantos nichos, me interessei pelas dinâmicas familiares. Dentre tantos papéis vinculares importantes, o que parece emergir primeiro é o materno. E a forma que mais o faz aparecer é quando a figura materna não se apresenta como personagem de uma história. Durante o processo terapêutico, surgem as questões que circundam a falta dessa relação. O tempo do paciente é que vai dizer quando as respostas virão, e se virão. Existe um aprisionamento no maternar, imposto como perfeito, sagrado e feminino, que ignora toda e qualquer individualidade, desejo, autonomia.

O mês de maio dá mais potência a tantas questões sentidas como, gênero, classe, medo, expectativas versus realidade. Tudo isso vai entrando na clínica. As vezes falta a figura materna, as vezes falta o paciente na sessão, por não dar conta, naquele momento, de se ver diante de si e da inadequação diante do que é ideal para os padrões externos. Vera Iaconelli em seu livro “Manifesto Antimaternalista”, levanta questões sobre o peso desse papel forçosamente depositado em mulheres e ignorando as responsabilidades de todos, como sociedade e coletivo no processo de criação das crianças.

Foi dando meus primeiros passos, que notei um lugar comum onde eu ia parar, meio sem me dirigir a ele, meio por conta própria, meio sendo levada. Se intencionalmente ou de forma inconsciente eu não sei, mas essa parte vou deixar para minha análise pessoal. Esse lugar que talvez eu estivesse “ocupando” na relação com alguns desses pacientes, me causou incômodo em alguns momentos, alívio em outros, dúvidas em todos os casos. Tamanha foi a dimensão da minha confusão que corri para a supervisão. Cheguei lá comigo mesma nos braços querendo poder dizer:

Fica comigo para eu poder trabalhar?

Enquanto eu e minha supervisora, Winnicottiana que só ela, discutíamos com cuidado cada detalhe dos casos, eu contei dessa sensação, de que às vezes, assumo de fato essa função materna. Expliquei em quais situações, como eu percebia meus pacientes diante das demandas e como isso ressoava em mim. Sua resposta não me trouxe uma certeza, nem uma única direção a ser seguida. Mas me trouxe uma reflexão importante sobre os possíveis deslocamento dos papéis dentro das relações:

“Às vezes você vai precisar assumir esse papel mesmo, dependendo do caso, da situação específica, do momento. Às vezes, você é maternal na sua forma de ser, de se relacionar. Mas a pergunta a se fazer é, que tipo de mãe você é? A que protege os filhos do mundo, impedindo que vivam as próprias experiências e aprendam com elas, ou a que oferece amparo e amplia as possibilidades para que seus filhos criem autonomia e experienciem o mundo sozinhos?”

Sua fala foi tão carregada de significados que até aqui, escrevendo esse texto, me vejo com dificuldades de transformar em alguns parágrafos a quantidade de vezes em que ela ecoa e me guia em cada sessão, em cada pensamento, em cada tentativa de manejo. Sim, tentativa mesmo. Outra coisa que tenho aprendido nessa profissão. Igual mãe, a gente erra tentando acertar. Vou contar outro caso de supervisão aqui, dessa vez em grupo.

Uma psicóloga conta de uma intervenção que fez e quer saber, como ela sabe se fez certo, se aquele era o momento? A resposta da supervisora, veio como a vida falando com mães: É sempre a posteriori.

Mais uma situação de supervisão neste mesmo grupo. Contei que um paciente me disse que não tenho cara de psicóloga. Que eu tinha cara de quem não tem problemas, que psicóloga tem cara de quem carrega todos os problemas do mundo nas costas. Me senti atacada, no primeiro momento, mas a reflexão veio depois, na hora certa.

Passadas algumas sessões, me vi sendo firme com ele sobre alguns pontos importantes que surgiram em suas falas. Saí derrotada, com a sensação de que o decepcionei, que a forma que falei não esclareceu, só reprimiu. Na semana do Dia das Mães, antes de ir embora, depois de se despedir, ele voltou num passinho rápido e me abraçou e disse “Feliz Dia das Mães”. Nunca havíamos tido contato físico.
A supervisora relembrou:

“E você aí, achando que o decepcionou. Lembre-se, para ele, você é a que não tem problemas, mesmo carregando todos eles nas costas. Porque para você, só existe ele e os problemas dele. A mãe.”

Na tentativa de relaxar um pouco, quase caio em uma cilada ao olhar minhas redes sociais. Uma psicóloga dedicou um pouco de tempo afirmando num vídeo curto que quem é mãe de pet, não é mãe. E eu nem vou entrar aqui nessa questão, não sei dizer se sim ou se não, e nem acho relevante num contexto generalista a questão. Mas aceito o convite ao pensamento do que isso gera em cada pessoa que passa por esse tipo de conteúdo. Abri os comentários. Tinha gente ofendida, gente concordando, gente contando que só pode exercer a maternidade assim e que se sentia completa. Gente de luto por ter perdido um animal, e teve até uma mãe que contou sentir alívio do filho ter ido fazer faculdade em outro país e ela pode ficar sozinha como o cãozinho no apartamento.

Só pude concluir o óbvio que se apresenta no fato de existirmos juntos, eu não conheço todo mundo, nem todos os pets, nem o que é maternidade para todas as pessoas. É singular. Não importa o padrão, o padrão pode ser uma prisão. E para quem não vê reflexão nesse assunto, recomendo a leitura do livro “O peso do pássaro morto” escrito por Aline Bei. Sem nenhum spoiler digo, tem um personagem de quatro patas chamado Vento.

Essas situações, leituras e histórias com as quais me deparo diariamente me fazem vigilante, curiosa, interessada, imatura e despreparada sobre todos os temas que ainda estão por vir na minha trajetória profissional. Agora de uma forma mais consciente, mas não mais tão insegura, pelo, menos não o tempo todo. Ainda tenho minha rede de apoio que são as supervisões, as trocas com colegas de profissão, meus livros, e por que não, minhas experiências pessoais que me trouxeram até aqui. A gente vai mesmo viver vários papéis nas relações, no setting e na vida.

Mas sigo cuidando da minha cria, a profissão que escolhi. Errando, acertando, indo com medo mesmo, me frustrando, mas desejando todos os dias exercer esse ofício, não só como um dos meus recursos de sobrevivência, mas também como minha forma ser e de comunicar com o mundo.

No mês que vem, junho, tem Dia dos Namorados. Vejamos.

Thalita Reis

Desafios da Terapia | Envolva o paciente

DESAFIOS DA TERAPIA | ENVOLVA O PACIENTE

Nesta coluna trazemos um capítulo do livro “Desafios da Terapia: reflexões para a nova geração de pacientes e terapeutas” do médico, psicoterapeuta e escritor Irvin D. Yalom. Depois do texto, você poderá conferir as reflexões da Maria Fernanda, enquanto estudante de Psicologia, e do Rafa Dutra, enquanto psicólogo clínico, professor e supervisor. Aproveitem!


Muitos de nossos pacientes têm conflitos no domínio da intimidade e são ajudados na terapia simplesmente por meio de um relacionamento íntimo com o terapeuta. Alguns temem a intimidade porque acreditam que há algo inaceitável neles, algo repugnante e imperdoável.

Diante disso, o ato de revelar-se por completo a outro e ainda assim ser aceito pode ser o principal veículo de ajuda terapêutica. Outros podem evitar a intimidade por medo de exploração, colonização ou abandono; para eles, também, uma relação terapêutica íntima e carinhosa que não resulte na catástrofe esperada torna-se uma experiência emocional corretiva.

Portanto, nada tem precedência sobre o cuidado e a manutenção do meu relacionamento com o paciente, e eu presto atenção a cada nuance de como nos avaliamos um ao outro. O paciente parece distante hoje?

Competitivo? Desatento aos meus comentários? Ele faz uso do que eu digo em particular, mas se recusa a reconhecer minha ajuda? É excessivamente respeitoso? Obsequioso? Expressa muito raramente qualquer objeção ou desacordo? Está distante ou suspeitoso? Consigo entrar em seus sonhos ou devaneios? Quais são as palavras que usa em conversas imaginárias comigo? Quero saber todas essas coisas e muito mais.

Nunca deixo passar uma sessão sem verificar nosso relacionamento, às vezes com simples perguntas: “Como você e eu estamos hoje?” ou “O que está achando do espaço entre nós hoje?”.

Às vezes, peço ao paciente que se projete no futuro: “Imagine daqui a meia hora – você está voltando para casa, relembrando nossa sessão. Como você se sentirá sobre você e eu hoje? Quais serão as declarações não ditas ou perguntas não feitas sobre nosso relacionamento hoje?”.


Maria Fernanda |
Estudante de Psicologia

Estudante do 7º semestre do curso de Psicologia da USCS – Universidade de São Caetano do Sul, Maria se interessa pela Clínica em Psicologia e vem se inspirando pelas discussões da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung.

Um dos maiores desafios na psicoterapia (para mim, pelo menos rs) é mostrar as suas sombras que você já conhece, e ao longo da análise descobrir algumas novas sombras. Causa um desconforto natural. Aliás, fazer psicoterapia é quase sempre um desconforto constante. 

É um processo a criação da intimidade e desse vínculo terapêutico, principalmente se for a primeira vez fazendo psicoterapia. A gente costuma vestir máscaras ao longo da vida, e entender que na psicoterapia é importante se desfazer de algumas máscaras é desconfortável mesmo. E doloroso muitas vezes. 

A preocupação do profissional da Psicologia em se questionar e questionar o paciente sobre o vínculo é importante principalmente pensando nessas máscaras vestidas.

A intimidade é uma construção baseada na transferência, no tempo, na identificação e também na energia investida nesse processo. E um vínculo terapêutico bem fortalecido contribui para que o paciente se sinta seguro o suficiente para entrar em contato com partes de si que muitas vezes passaram anos sendo evitadas, negadas ou escondidas. E isso não acontece de uma vez. É uma construção gradual, feita entre avanços, resistências, silêncios e descobertas.

O vínculo terapêutico precisa ser pensado com cuidado e sensibilidade, porque é justamente nessa relação que o paciente pode experimentar novas formas de existir e de se relacionar.


Rafa Dutra |
Psicólogo Clínico e Professor

Psicólogo, especialista em Psicologia Clínica, em Psicologia Escolar e mestre em Educação. Atua como psicoterapeuta desde 2008 em consultório particular a partir da Psicologia Sócio-Histórica. É, também, professor e supervisor.

Construir vínculo e intimidade é sempre um desafio, sejam nas relações pessoais, sejam nas profissionais. E com a relação terapêutica não é diferente!

Esta é uma relação muito singular que não se reproduz em nenhum outro contexto que não o da terapia, essa relação psicóloga-paciente é única e é o nosso principal “instrumento” de trabalho. Mediamos um processo em que construímos uma intimidade que é de via única e que para além das tantas reflexões, escutas, provocações, insights e acolhimentos, se torna ela própria – a relação – uma intervenção na vida da paciente.

Envolver o paciente pode parecer algo óbvio e simples, mas o óbvio precisa ser dito e o simples às vezes é bem difícil de executar. Sobretudo nos dias de hoje com as tantas cobranças por resultados e por pessoas cada vez mais adoecidas e com dificuldades de entrar, de fato, em contato com as próprias questões.

É na relação que o processo acontece e é preciso cuidar com muito apreço dela, sem romantizar nem idealizar ser a “super-psicóloga”, mas uma relação atenta, profissional, pautada na ética do cuidado e construída no detalhe a cada encontro. Este cuidado é conjunto, com a participação ativa das pacientes, caso contrário, deslocamos o eixo da relação para a psicóloga, e daí as coisas podem sair do caminho que deveriam estar.

A relação não é padronizada e nem está dada, não é porque conseguimos construí-la uma vez que deixaremos de nos preocupar. Ela sempre se reconfigura e exige novos alinhamentos e posicionamentos, é uma relação viva, em movimento, com encontros e desencontros, atravessada por diferentes afetos, frágil e potente, como toda e qualquer intimidade, por isso mesmo precisa ser cuidada!

Devo ter um perfil nas redes sociais?

DEVO TER UM PERFIL NAS REDES SOCIAIS?

É muito comum o pessoal se formar e construir um perfil nas redes sociais, um perfil “.psi” no Instagram. Algumas pessoas também gostam de usar o LinkedIn ou outras plataformas.

Mas antes de sair criando conta profissional em rede social temos uma dica: CALMA!

Diferente de um site que você cria e ele está pronto, as redes sociais exigem que você as alimente cotidianamente, e isso vai te demandar muito trabalho (se você for fazer algo bem feito). Então é preciso avaliar muito bem se, para você, vale a pena estar nas redes sociais.

Nesse assunto, a primeira coisa a se fazer é gastar umas boas horas pesquisando sobre marketing digital, marketing de conteúdo, marketing no Instagram, no Facebook, no LinkedIn, no Whatsapp Business ou onde mais você queira estar presente.

Termos como funil de vendas, persona, avatar, aquecer os leads, conversão, geração de valor, call to action, entre outros, vão começar a ficar familiares para você e, aí sim, você pensa se irá criar uma rede social e fará um PLANEJAMENTO para ela.

Existem muitos apps gratuitos que fazem com que você, mesmo que de forma amadora, consiga fazer posts, editar fotos, fazer vídeos, e ter uma aparência mais profissional, mais bacana. Mas ter uma rede social de qualidade dá muito trabalho e envolve muito estudo.

De início, você não poderá pagar alguém para fazer isso para você (o mundo ideal – se puder, pague!), então pesquise, estude, converse com amigos que são dessa área, assista essas “aulas online” gratuitas que muitos especialistas oferecem antes de te vender algum curso. Se for mesmo entrar nessa, daí vale até buscar cursos pagos para fazer algo bacana, bem feito e ter resultado.

ALERTA:
Além de estudar as resoluções do Conselho de Psicologia que falam sobre as questões éticas na publicização dos serviços de Psicologia, fique atenta para não reproduzir discursos patologizantes, psicologizantes e culpabilizantes nas redes sociais. É muito difícil elaborar conteúdo para o público em geral sem falar em “psicologuês”.

Lembre-se que, se você está oferecendo conteúdo para as pessoas, você está oferecendo um serviço de psicoeducação para seus seguidores, então faça isso de uma maneira ética, crítica e com qualidade.

Como conseguir pacientes?

COMO CONSEGUIR PACIENTES? 

Esta é a pergunta que eu mais recebi em quase 9 anos promovendo dezenas de atividades para milhares de estudantes e profissionais na Sala ABC! Afinal, esta é a grande “dor” das psicólogas, principalmente das que estão começando na Clínica. 

Os gurus do marketing ensinam que devemos conhecer bem nosso cliente e conhecer quais são as dores deles (os problemas para os quais poderemos vender a solução). Não à toa que toda hora somos atravessadas por propagandas de cursos e mentorias que ensinam a ter “agenda cheia em 3 meses“, “faturar 10k em 6 meses“, “como conseguir pacientes high-ticket“, etc. 

Todo mundo sabe que este é o grande desafio de quem começa na clínica ou de quem quer levar seu consultório para um outro patamar de retorno financeiro. E dai chegam as promessas, são “metodologias comprovadas”, uso de redes sociais, Google Ads, Meta Ads, comunidades, plataformas, etc, mas no fundo a promessa é a mesma: vou te ajudar a conseguir seus pacientes. E as psicólogas compram essas promessas, às vezes pagam bem caro, inclusive. 

Então, primeiro de tudo, cuidado com quem te promete este tipo de coisa, e não saia gastando seu dinheiro com isso. Lembre-se: não existe caminho fácil e nem rápido! 

Este “conseguir pacientes” eu tenho chamado de “construir sua rede de encaminhamentos“, um processo artesanal, que leva tempo e depende de uma série de variáveis que nem sempre são passíveis de controle e previsibilidade. 

Quando faço reflexões e orientações sobre esta questão, gosto de dizer que nosso desafio é transformar nossa rede de contatos – o famoso “network” – em uma rede de encaminhamentos. E existem diferentes caminhos para isso. 

Porém, antes de sair investindo tempo, energia e dinheiro nisso, tem uma pergunta fundamental na qual a resposta mudará tudo o que você deverá fazer depois: 

Quem é o paciente que eu quero ter? 

E a resposta a essa pergunta deve ser completa, tipo um episódio do Globo Repórter de sexta-feira a noite: quem são, o que fazem, onde vivem?

Não basta apenas saber qual faixa etária você quer atender, que é o recorte mais comum das psis pensarem. É preciso pensar em tipos de demandas, questões identitárias, classe social, território e uma série de características para que, primeiro vc entenda bem quem é o público que você deseja atrair para o seu consultório, e só depois começar a criar estratégias para ir até eles, ou ainda melhor, para eles virem até você! 

O digital é um caminho que chegou para ficar, ultimamente tenho visto psicólogas já consolidadas entrando nas redes também, mas vale lembrar que o digital é apenas um dos caminhos, e nem todo mundo se sente confortável com ele. 

Na Psicologia Clínica de consultório, pela característica dos processos serem com encontros semanais ou quinzenais, não precisamos de muito pacientes, 20 ou 30 pacientes já configuram uma agenda cheia, então ter uma rede de encaminhamento, ainda que pequena, mas eficiente, pode fazer você construir seu consultório em poucos meses. 

Tem algumas psis que tem perfil para ter aquele posicionamento mais “blogueirinha/ tiktoker” que a cartilha do marketing digital propõe, e algumas tem realmente bons resultados em transformar sua rede social em um espaço de encaminhamento de pacientes, mas arrisco dizer que 90% dos perfis profissionais na rede social não conseguem fazer isso. 

Ainda no digital, ter um site, um blog, um perfil “vitrine”, um Google Meu Negócio, um cadastro em algumas plataformas de busca por psis e até investir em tráfego no Google ou na Meta podem dar resultado, desde que você tenha conhecimentos básicos deste universo e saiba o que está fazendo (ou contrate alguém que saiba). 

Mas existe vida fora da Internet, e muitas possibilidades para construir sua rede de encaminhamentos fora dela também. 

Parcerias com psicólogas de outras abordagens ou que atendem outros públicos, parcerias com profissionais da saúde, parceria com projetos ou instituições, participar de comunidades, frequentar grupos de supervisão e de estudos, ir a eventos, palestras, congressos e tudo quanto é lugar onde as pessoas possam te conhecer como psicóloga são maneiras de investir na construção da sua rede de contatos e, portanto, na sua rede de encaminhamentos. 

Não acredito que exista a melhor estratégia, aquela que garanta resultados bons e rápidos. O resultado virá com as estratégias com as quais você se identifica e investe, com constância e dedicação por um período considerável, não será uma coisa de dias ou semanas. 

Construir um consultório sólido é construir uma rede de encaminhamentos capaz de, primeiro, construir uma boa agenda e, segundo, fazer a manutenção diante das variações de entrada e saída de pacientes. Inclusive, com o tempo, suas próprias pacientes e ex-pacientes vão se tornar sua rede de encaminhamentos. Quando isso acontecer, seu consultório estará quase que “rodando sozinho”. 

No entanto, este processo não é simples e nem rápido, envolve conhecimento, tempo e ação. Sua rede começa a ser construída ainda durante sua graduação, com suas professoras, supervisoras e colegas de turma e de curso. Ou seja, não é um processo que você só começa depois de ter o CRP na mão.

Bora estudar e construir sua rede! 

Forte abraço!
Rafa Dutra