As paredes permeáveis da Clínica Psicológica

AS PAREDES PERMEÁVEIS DA CLÍNICA PSICOLÓGICA

Se me permitem, hoje quero usar este espaço para desabafar um pouco antes de comemorar.

Não fiz post do Dia da Psicóloga para o dia 27 de agosto. Você está lendo hoje, mas escrevo este texto dois dias antes, embalada pela minha dificuldade de produzir algo que me inclua nessa vitrine. Não é que não haja o que celebrar, e vamos construir juntos essa ideia aqui, mas que tal um pouco de franqueza e realidade para tornar essa data menos genérica e mais genuína? Vamos falar das inquietações da profissão que são abafadas por conteúdos prometendo captação de pacientes em massa e ganhos acima de tantos mil reais logo no primeiro ano de formação. A verdade é que me sinto sufocada pela beleza de tudo o que vejo, como se eu estivesse presa e empoeirada: uma artesã na era industrial.

Eu, que quis tanto chegar do lado de cá, me encontro na solidão do consultório diante da realidade do nosso fazer diário, que insiste em desmentir essa face idealizada. A faculdade nos confere um título e o conselho nos atribui um número de registro, mas nenhum documento é capaz de nos preparar para o impacto real da clínica. Ninguém nos avisa sobre a espessura de pele que é preciso desenvolver para sustentar a escuta sem nos desligarmos.

Raramente vejo profissionais falando da insegurança que nos assola quando a porta do consultório se fecha. Pouco se fala do nó na garganta e do choro silencioso, engolido às pressas entre uma sessão e outra, quando a história de alguém toca num ponto cego que também é nosso. Ninguém expõe a dor dilacerante e quase física de testemunhar a recaída de um paciente que vinha apresentando melhoras há meses, nem a exigência de ter que respirar fundo, recompor as feições, engolir a própria dor e sorrir ao abrir a porta para o próximo paciente.

Enquanto escrevo isso, me pergunto, com receio: Como soa aos meus pacientes essa leitura? Se você, que senta comigo todas as semanas, passar por estas linhas, espero que não sinta dúvidas. Que o que leia aqui não cause insegurança, mas o oposto: o conforto de saber que do outro lado há uma psicóloga humana, de carne, osso e afeto. Uma profissional que sente, que assume suas angústias e que amar o que faz significa, justamente, não se anestesiar diante da sua dor.

A verdade é que existe uma angústia permanente na corda bamba do nosso cotidiano: a tensão ética entre a necessidade pragmática de fazer dinheiro para pagar as contas do mês e a exigência de fazer o trabalho com a entrega que ele requer.

Fala-se tanto em “humanizar”, mas cobra-se de nós que pareçamos intactas e inabaláveis diante do abismo alheio. Como se não tivéssemos corpo, boleto, cansaço ou finitude.

As paredes da clínica são permeáveis, por mais que a gente tente erguer barreiras técnicas para nos proteger. O afeto vaza na forma de uma lágrima involuntária, na inquietação que levamos para a supervisão, no pensamento que nos acompanha no caminho de volta para casa. E que bom que vaza. É nesse entremeio, onde a vida do outro nos atravessa sem nos destruir, que o encontro clínico deixa de ser um procedimento asséptico para se tornar transformação real.

Na prática, nada é garantido. Não há garantias no progresso de um tratamento, não há garantia de que o paciente novo vá criar vínculo e permanecer na semana seguinte, não há garantia sequer do pagamento no final do mês. Além de sustentar as dores do mundo, precisamos ser nossas próprias gestoras, contadoras, secretárias e estrategistas de um negócio que flutua na incerteza.

É por isso que as supervisões semanais funcionam, tantas vezes, como um pedido silencioso de socorro. Longe de serem meros debates teóricos, levamos a elas a nossa própria perplexidade, o nosso desamparo acolhido por outro par, na esperança de encontrar alguma luz, alguma ferramenta, algum alívio para conseguir devolver cuidado e dignidade a quem nos confiou a própria história.

E no entanto, diante de tudo isso, me pego em uma contradição profunda.

Porque ao final de um dia exausto, onde passei por todos esses desertos, é justamente essa mesma clínica que me devolve o sentido de estar viva. Diante do peso desse esqueleto complexo, é no fim do expediente que me sinto inteira e realizada.

Sinto real desejo de acordar amanhã para testemunhar as pequenas vitórias dos meus pacientes. Quero estar lá para ouvir suas conversas, mesmo aquelas aparentemente banais sobre o trânsito ou o tempo, mas que carregam as sementes do que está por vir. Quero o ritual de me sentar com uma xícara de café e escrever no meu caderno de anotações, rabiscar à mão livre, desenhar conexões, reler minhas impressões e encontrar ali a emergência de padrões que, de tão doloridos, se tornam profundamente belos.

Há um encanto quase sagrado em perceber que compreendi e senti junto com o meu paciente. Em saber que a minha própria análise, a minha bagagem e a minha dor podem servir como caixa de ressonância para que outra pessoa possa nomear o que até então era inominável.

Por isso, hoje quero celebrar a coragem de sustentar as contradições do nosso ofício. As lágrimas enxugadas na pausa de dez minutos, o esforço de manter a porta aberta na incerteza e o privilégio imenso de habitar o espaço onde a dor se transforma em narrativa. Se há algo a comemorar, é o fato de que, apesar de tudo, eu escolheria a poltrona e a escuta todas as manhãs de novo e de novo.

Thalita Reis

Desafios da Terapia | Ensine Empatia

DESAFIOS DA TERAPIA | ENSINE EMPATIA

Nesta coluna trazemos um capítulo do livro “Desafios da Terapia: reflexões para a nova geração de pacientes e terapeutas” do médico, psicoterapeuta e escritor Irvin D. Yalom. Depois do texto, você poderá conferir as reflexões da Maria Fernanda, enquanto estudante de Psicologia, e do Rafa Dutra, enquanto psicólogo clínico, professor e supervisor. Aproveitem!
_________________________________________________________________________

A precisão empática é uma característica essencial não apenas para os terapeutas, mas também para os pacientes, e devemos ajudá-los a desenvolver empatia pelos outros. Tenha em mente que, em geral, nossos pacientes vêm nos ver por causa de sua falta de sucesso em desenvolver e manter relacionamentos interpessoais gratificantes. Muitos fracassam em simpatizar com os sentimentos e experiências dos outros.

Acredito que o aqui e agora oferece aos terapeutas uma maneira poderosa de ajudar os pacientes a desenvolver empatia. A estratégia é direta: ajude os pacientes a sentir empatia por você e eles automaticamente farão as extrapolações necessárias para outras figuras importantes em suas vidas. É bastante comum que os terapeutas perguntem aos pacientes como uma determinada afirmação ou ação deles pode afetar os outros. Sugiro que o terapeuta se inclua nessa questão.

Quando os pacientes arriscam um palpite sobre como me sinto, geralmente me concentro nisso. Se, por exemplo, um paciente interpreta algum gesto ou comentário e diz: “Você deve estar muito cansado de me ver”, ou “Sei que você sente muito por ter se envolvido comigo”, ou “Minha sessão deve ser a mais desagradável do dia”, farei um teste de realidade e comentarei: “Tem alguma pergunta aí para mim?”.

Isso é, obviamente, um simples treinamento de habilidades sociais: eu incito o paciente a me abordar ou me questionar diretamente, e me esforço para responder de maneira direta e útil. Por exemplo, posso responder: “Você está me interpretando errado. Eu não tenho nenhum desses sentimentos. Estou satisfeito com o nosso trabalho. Você tem mostrado muita coragem, você trabalha duro, nunca perdeu uma sessão, nunca se atrasou, você se arrisca compartilhando muitas coisas íntimas comigo. Em todos os sentidos aqui, você faz o seu trabalho. Mas percebo que, sempre que você arrisca um palpite sobre como me sinto em relação a você, muitas vezes isso não combina com minha experiência interior, e o erro é sempre na mesma direção: você me vê como alguém que se incomoda, mas eu não me incomodo de jeito nenhum”.

Outro exemplo:

“Eu sei que você já ouviu essa história antes, mas..” (e o paciente passa a contar uma longa história).
“Estou impressionado com a frequência com que você diz que eu já ouvi essa história antes e depois continua a contá-la.”
“É um mau hábito, eu sei. Eu não entendo.”
“Qual é o seu palpite sobre como me sinto ouvindo a mesma história de novo?”
“Deve ser entediante. Você provavelmente fica esperando o final da sessão – deve ficar olhando o relógio.”
“Existe uma pergunta aí para mim?”
“Bem, é entediante?”
“Eu fico mesmo impaciente por ouvir a mesma história mais uma vez”.”Sinto que ela se interpõe entre nós dois, como se você não estivesse realmente falando comigo. Você estava certo sobre eu verificar o relógio. Sim, mas foi com a esperança de que, quando sua história terminasse, ainda tivéssemos tempo para fazer contato antes do final da sessão.”


Maria Fernanda |
Estudante de Psicologia

Estudante do 8º semestre do curso de Psicologia da USCS – Universidade de São Caetano do Sul, Maria se interessa pela Clínica em Psicologia e vem se inspirando pelas discussões da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung.

Para mim, a empatia começa consigo mesmo. Entendo que, para algumas pessoas, pode ser mais fácil sentir empatia pelos outros e tratá-los com carinho do que fazer isso consigo mesmas. Claro que também existe o contrário, mas, neste momento, vamos focar nesse exemplo.

Aceitar que você erra e, ao mesmo tempo, reconhecer seus potenciais também faz parte do processo terapêutico. Um exercício que faz muito sentido para mim, e que talvez dialogue com o que Yalom diz, é pensar: “será que essas palavras duras que digo a mim mesma eu conseguiria repetir, em voz alta, para a pessoa que mais amo na vida?” Seja um familiar, um amigo, um parceiro ou qualquer pessoa por quem eu tenha carinho e apreço.

E, acredite, muitas vezes você não diria isso a outra pessoa. Então, por que ser tão duro consigo mesmo?

Em janeiro deste ano, fui à exposição “A alma humana, você e o universo de Jung” e havia uma parede com algumas frases. Uma delas, em especial, me marcou muito e também dialoga com esse capítulo e com o exemplo que dei:

Cada palavra dura contra si mesmo é como um machado contra a raiz da árvore.” — Sidnei Nogueira

Sinta empatia pelos outros, mas não se esqueça de sentir empatia pela sua própria raiz também.


Rafa Dutra |
Psicólogo Clínico e Professor

Psicólogo, especialista em Psicologia Clínica, em Psicologia Escolar e mestre em Educação. Atua como psicoterapeuta desde 2008 em consultório particular a partir da Psicologia Sócio-Histórica. É, também, professor e supervisor.

O deslocamento educativo do lugar da empatia que Yalom propõe neste capítulo é algo interessante, mas entendo que ela é usada como exemplo de algo maior que me chama mais atenção para trazer nesta discussão.

Logo no começo do capítulo ele traz que “em geral, nossos pacientes vêm nos ver por causa de sua falta de sucesso em desenvolver e manter relacionamentos interpessoais gratificantes. Muitos fracassam em simpatizar com os sentimentos e experiências dos outros“; e então desenvolve a sua provocação a partir da ideia de que podemos, do lugar de terapeuta, “emprestar” a nossa relação com o paciente para que ele consiga enxergar coisas que provavelmente não conseguiria nas outras relações.

E transformar a relação terapêutica em uma relação educativa sobre “como me relaciono com os outros“, de fato, me parece algo bastante potente. Não é toda relação que pode nos oferecer um feedback direto, assertivo e, ao mesmo tempo, acolhedor e reflexivo, como a relação terapêutica.

Compartilhar como a gente se sente naquela relação, compartilhar pensamentos que nos ocorrem e trazer a própria relação terapeuta-paciente para a discussão pode parecer uma
“heresia” para algumas profissionais, mas na minha experiência, via de regra este exercício é muito produtivo, pois permite uma expansão da percepção do próprio paciente sobre como ele esta se posicionando, o lugar que ele se coloca, o lugar que ele me coloca, e os acertos e os equívocos que acaba tendo na percepção dele sobre mim ou sobre os impactos deles em mim.

Para além das interpretações, insights, provocações e reflexões, a dimensão educativa que uma relação de tamanha profundidade pode ter merece e precisa ser explorada num processo terapêutico!

Organização financeira: bora fazer as contas!

ORGANIZAÇÃO FINANCEIRA: BORA FAZER AS CONTAS!

Muitas psicólogas dizem que não se dão bem com números, mas caso ninguém vá cuidar disso para você, será importante que você se dedique a conhecer um pouco mais dessa área.

Infelizmente, não temos a cultura da Educação Financeira e pouco sabemos a respeito de como nos organizar nesse aspecto da vida. Algumas famílias proporcionam esses aprendizados, mas as escolas e as universidades não.

Assim como na questão do marketing digital, é possível gastar algumas horas pesquisando sobre o assunto porque tem muito conteúdo bom e gratuito. Você irá aprender algumas coisas básicas, mas que já serão importantes para organizar seu fluxo de caixa, seu controle financeiro e organizar sua vida econômica.

Existem duas regras básicas sobre a gestão financeira da sua Clínica:

  • registre seu controle financeiro (apps gratuitos ou planilhas são o ideal, aposente o “caderninho”)
  • separe suas contas do “financeiro do consultório” do seu “financeiro pessoal” (tenha duas contas em banco)

Em relação aos pagamentos dos pacientes, cada profissional trabalha de um jeito: algumas cobram por sessão. Algumas cobram na última sessão do mês. Algumas cobram na primeira sessão do mês referente às sessões realizadas no mês anterior. Outras cobram um valor fixo e vão organizando “saldos” que ficam das sessões.

Essa é uma parte bem pessoal, quando não se tem uma organização, pode ficar confuso por não ter um dia certo em que o salário entra integralmente na sua conta como no CLT, na Clínica os pagamentos vão entrando aos poucos no decorrer do mês.

O ideal é chegar em um ponto que você tenha um “fluxo de caixa” (capital de giro), ou seja, se você tem R$3.000,00 de despesas no consultório por mês, você tenta começar o mês com esse dinheiro na conta, e o dinheiro que vai entrando no decorrer do mês servirá para pagar as contas do mês seguinte, é uma maneira de se organizar um pouco melhor.

Se for possível, concentrar os pagamentos de todos os pacientes (ou da maioria deles) na mesma data; isso também ajuda bastante, bem como concentrar os seus boletos no final do mês, pois provavelmente você já terá recebido todos os seus pagamentos.

Lembre-se que diferente de ter um salário fixo no CLT, o valor que você recebe no consultório oscila, inclusive alguns meses do ano como dezembro e janeiro costumam ser mais “fracos”, então você precisa se preparar para eles e também planejar suas férias, porque você também vai querer (e merecer) um descanso.

E-book “10 dicas para quem está começando na Clínica”

Dica 6: Organização financeira: bora fazer as contas!

Que Psicologia Clínica queremos?

QUE PSICOLOGIA CLÍNICA QUEREMOS?

Agosto é o mês da Psicologia, no dia 27/08/2026 celebraremos 64 anos de profissão regulamentada no Brasil e este acaba sendo um mês de muitos eventos, encontros, celebrações e homenagens com as agendas bem movimentadas.

É um mês especial, e as agendas evidenciam os diferentes projetos de profissão que se apresentam e são construídos pela categoria, afinal “ser psicóloga” pode ser muitas coisas diferentes e neste texto gostaria de trazer esta reflexão, mas dentro do contexto da Clínica.

Que a Clínica se consolidou no Brasil como a área mais tradicional da Psicologia todo mundo sabe, inclusive ela se tornou, no imaginário social, sinônimo do trabalho em Psicologia.

Às vezes parece que uma psicóloga que não “faz clínica” não é psicóloga, o que não é verdade. Felizmente, hoje temos muitas Psicologias e muitas possibilidades de trabalho enquanto psicólogas.

Mas a Clínica tem um lugar gigante na Psicologia brasileira. Segundo o Senso 2022 do Conselho Federal de Psicologia, 7 em cada 10 psis tem atuação na Clínica, ainda que a maioria não seja como atividade exclusiva.

Diante deste tamanho todo que a Clínica ocupa, é preciso colocar uma pergunta: que Psicologia Clínica queremos?

Para responder esta pergunta, penso que precisamos nos dedicar a duas questões: a perspectiva de sociedade, de indivíduo, de saúde mental e da própria Psicologia que vai impactar em como acontece o atendimento clínico em si, e a concepção de projeto profissional que orienta a identidade e o posicionamento de carreira da psicóloga.

Do ponto de vista do atendimento em si, temos visto uma crescente da perspectiva biomédica, o discurso da neutralidade científica voltando a ter força e uma visão bastante patologizante e individualizante de compreender e atuar nas questões de saúde mental. Mas quero focar no outro aspecto.

Na identidade e no projeto profissional, percebo que o discurso do empreendedorismo neoliberal capturou grande parte das psicólogas clínicas nas últimas décadas e, e nos últimos anos ganhou um “tempero” , potencializou uma narrativa que é novo que é uma mistura de coaching de propósito de vida com a teologia da prosperidade.

Este discurso tem capturado a atenção e a simpatia não apenas das psicólogas recém-formadas, mas inclusive de profissionais já consolidadas com décadas de carreira. É fato que todo mundo está lidando com a exaustão e quer/precisa ganhar mais e trabalhar menos. Esse é o grande fetiche e, ao mesmo tempo, uma grande necessidade.

E é com esta condição, este desejo e esta necessidade que o discurso do empreendedorismo neoliberal tem se apresentado como uma alternativa para muitas profissionais que acabam entrando nessa onda e caindo no que eu chamo do “canto da sereia neoliberal“.

Esse movimento não é novo na Psicologia brasileira, somos uma categoria de tradição neoliberal, na verdade ele existe desde sempre, agora apenas se apresenta com uma nova roupagem, com as características, ferramentas, linguagens, vocabulários e expressões do nosso tempo histórico.

Será que este é o caminho que queremos enquanto projeto profissional para a Psicologia Clínica?

Acredito que não. A frustração com a quebra de expectativas entre as promessas feitas e os resultados encontrados, somadas a sobrecarga e a solidão vivida pelas psis tem nos apontado a necessidade de construir outros caminhos.

Penso ser indispensável a consciência política, uma leitura de realidade social, a compreensão da própria psicóloga clínica enquanto trabalhadora autônoma e a construção e participação de espaços, coletivos e comunidades de troca, aprendizagem, confraternização e enfrentamento desse grande desafio que tem sido se construir e se consolidar, com saúde e dignidade, uma psicóloga clínica nos dias de hoje.

E para você, que Psicologia Clínica faz sentido? Que Psicologia Clínica você tem construído no seu dia-a-dia?

Forte abraço!
Rafa Dutra